Li, certa vez, em uma revista, um artigo
escrito por um pastor que contava sobre um mendigo que costumava visitá-lo em
sua igreja, e que gostava de discutir sobre o que ele, o mendigo, costumava
chamar de temas filosóficos. Pedia ao pastor uma xícara com água quente, pois
sempre trazia consigo seu próprio sache e, depois, deslanchava suas filosofias. Uma vez o tema proposto pelo mendigo era a felicidade:
O que é felicidade? Perguntou ele ao pastor,
direto e sem rodeios. O pastor organizou por alguns segundos seus
pensamentos e disse: para muitas pessoas felicidade significa ter o suficiente
para comer, um lugar aquecido para dormir, boa saúde e dinheiro suficiente para
as necessidades básicas da vida... Quando o pastor ia começar a falar sobre
questões espirituais, o mendigo
interrompeu-o e disse: Por que é, então, que as pessoas desejam muito
mais do que isso? Por que elas não são felizes apesar de suas casas luxuosas,
carros, viagens, dinheiro no banco, férias em lugares diferentes todo o
ano? Essas são necessidades básicas da
vida? Em seguida o mendigo acrescentou: Eu, pessoalmente, sou muito feliz, embora
não tenha nada e nunca tenha procurado a felicidade. Eu não gostaria de ser
rico, ou de ter mais dinheiro, frisou ele. Eu nem mesmo gostaria de ter um
lugar para dormir hoje à noite. Eu serei feliz enquanto eu puder caminhar e
respirar, enquanto eu for livre. Contou o pastor que esse fato o fez lembrar de
um quadro que uma vez ele havia visto: era um quadro de um homem sentado em um
banco de praça com uma borboleta pousada em seu ombro. Na base do quadro estava
a seguinte inscrição: A felicidade é como a borboleta, se você tentar pegá-la,
ela irá fugir. Mas, se você não prestar atenção a ela, e seguir enfrente com
sua vida, talvez ela pouse em seu ombro.
Muitas vezes, não nos damos o direito de ser feliz e culpamos as
circunstâncias da vida, as dificuldades econômicas, os fenômenos
meteorológicos, as catástrofes, desastres, acidentes, estresse e tantas outras
coisas encontradas em nosso dia-a-dia. Seriam essas coisas, por si só, fatores
definitivos para que não sejamos felizes de forma alguma? Há um aspecto de suma importância na construção de nossa felicidade: a união
perfeita da criança que fomos e que permanece viva em nós com o adulto que
somos. Se essa associação for positiva,
se esses dois aspectos de nossas vidas estiverem conectados, teremos, então, a
sensação de paz e equilíbrio. Quando isso não acontece sentimos medo e
insegurança, não estamos inteiros, nos sentimos conflitados e experimentamos a
solidão e a tristeza. Mas, será que quem teve uma infância infeliz, estaria
definitivamente condenado a infelicidade? Absolutamente, o desafio do adulto é
compreender a necessidade dessa união e sarar a criança que há dentro de si. A
criança é a emoção, o adulto a razão. A criança carrega consigo o peso das
crenças erradas que lhes foram imputadas pelos pais, o meio, a escola e ajudaram
a transformá-la, mais tarde, em um adulto infeliz. Crenças como: não responda a
um adulto. Seja bonzinho. Não discuta. Não argumente. Nunca diga não. Seja
obediente. Não fale das suas coisas interiores. Não confie em ninguém. Você não
sabe o que é melhor para você. Seja forte. Não chore. E quando nos tornamos adultos,
inconscientemente, repetimos esses erros e dizemos: Não tenho nenhum valor,
tudo que eu faço é errado. Como posso ser feliz se tem tanta gente infeliz.
Isso seria egoísmo. Não tenho esse direito. Tenho que ser bonzinho e obedecer
sempre. Não tenho direito de reivindicar nada. Não sei lidar com a dor, a
rejeição, a solidão. Os outros não me deixam ser feliz - Descobrir o nosso valor
e resgatar nossa autoestima são condições indispensáveis para uma mente
saudável. Quando sentimos que temos valor, aprendemos a dar importância a nossa
vida e a cuidar da nossa felicidade. Talvez o mendigo da história acima, apesar
de sua condição de miserabilidade, nos dê um testemunho claro de que nossa
dificuldade em ser feliz, está muito mais ligada à criança perdida dentro de nós, do que com o fato de termos de enfrentar alguns transtornos inevitáveis que a vida nos
impõe. Não se dar o direito de ser feliz está ligado, também, a crença de que
somos seres de segunda classe, conceitos muitas vezes incutidos em nossas
mentes de criança pela religião, que nos relegou o papel de reles pecadores e
nos fez bater no peito proclamando nossa culpa (mea culpa) por algo que nem
sequer compreendíamos e continuamos a não compreender. As coisas que nos trazem
mais prazer estiveram, de certa forma, sempre relacionadas ao pecado. O vazio e
a solidão deixados em nossa infância tendem a nos tornar adultos compulsivos, a
nos jogar no vício, na busca desesperada para preencher esse vazio. E, mesmo
quando reconhecemos nossas mazelas, ajudados pelo conhecimento intelectual
adquirido, nem sempre conseguimos curá-las e continuamos a sabotar nossos
próprios desejos de forma muitas vezes inconsciente. A luta para conquistar coisas e o prazer que
tiramos disso, se dá pelo fato de que estas conquistas, na verdade, são
conquistas internas. São mais o resultado de verdadeiras batalhas que travamos
dentro de nós mesmos em busca da cura psicológica, do que por feitos externos. O
medo de ser feliz tende a ser bem mais forte que o desejo de sê-lo. A cura é
sempre um processo lento, que, muitas vezes, não alcançamos sozinhos. Por isso enfiamos a cara no trabalho e temos
cada vez menos tempo para nós. É uma forma de não termos de ver quem realmente
somos e de não reconhecermos essa criança assustada dentro de nós. Não existem formulas mágicas para curar essas
feridas. Mas, é preciso reconhecer nossa condição humana, de seres que caminham sem ter, no entanto, muita certeza de onde estão pisando. Valorizar a criança interior
é o grande início para se colher dias melhores. Descobrir onde, como e porque
nossas pequenas asas foram cortadas, ajuda a nos tornarmos inteiros
novamente. A felicidade não se esconde
em algum lugar do futuro entre bens de consumo de toda ordem. O mais das vezes, para encontrá-la, só precisamos adotar novamente aquela criança que ficou
perdida lá no passado e ela mesma se encarregará de nos mostrar o caminho.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
quarta-feira, 13 de janeiro de 2021
Armadilhas Cognitivas
Aeron Beck, o psiquiatra criador da Terapia
Cognitivo-Comportamental, estabeleceu os fundamentos para as seguintes
distorções cognitivas que podem nos levar a depressão, isolamento e a ansiedade,
se vivenciadas com frequência.
1. Generalização –
Você tem duas ou três experiências negativas e acha que no futuro tudo será da
mesma forma e fará, ironicamente, que sua profecia se concretize.
2. Deveria ter feito isso...deveria
ter feito aquilo - Você pensa constantemente: “se eu tivesse agido assim, nada disso teria
acontecido...” Liberte-se disso. As coisas acontecem por que tem de acontecer.
Por razões que nós nem sempre entendemos.
3. Negativismo – Se alguém
diz alguma coisa que você acha não ser positivo, você já acha que tudo de
negativo vai se seguir a isso. E você se bloqueia e se afunda num espiral de
negatividade. Você continua remoendo o assunto e não consegue mais fugir dele.
Você passa ser escravo de seus próprios pensamentos.
4. Leitura Mental – Você
acredita muito em seus pensamentos. O que, normalmente, faz com que você
acredite que sabe o que os outros estão pensando. Em estudos recentes foi
descoberto que mesmo os terapeutas conseguem adivinhar apenas 50% do que os
seus pacientes estão verdadeiramente pensando.
5. Criar tragédias – Quando
você dá dimensões exageradas aos acontecimentos você cria uma teia de
preocupações, fantasiando com relação à forma como todas as coisa podem dar errado.
6.
Autopunição – Culpar-se pelo fato das coisas terem dado errado perpetua
a baixa autoestima e trás um ciclo vicioso de mais e mais preocupações. Aceitar
suas responsabilidades por erros cometidos, enquanto você pensa em alternativas
melhores para o futuro, é a melhor coisa a ser feita. Não é saudável acreditar
que todas as coisas ruins acontecem por sua causa e para você. A maior parte
das coisas que acontecem têm mais de uma causa. Sua contribuição talvez seja a menor e a menos importante delas.
7. Avaliação Errada –
Você avalia erroneamente ou interpreta mal uma situação. E depois pensa que
você é um fracasso, quando tudo que você fez foi cometer um erro e nada mais.
8. Transformando o
positivo em negativo – Você sempre acha motivo para desconfiar dos outros, até
mesmo dos amigos, e tem a tendência a dispensar cumprimentos sinceros. Esta forma
de pensar arruína o que existe de positivo e enfraquece a amizade e a
intimidade.
9. Pensamentos como
coisas reais - Você acredita que seus pensamentos são reais, quando na verdade
são só pensamentos. Aprenda a liberá-los. Em especial aqueles que não são
objetivamente verdadeiros. Não fazer isso pode levar a conflitos, especialmente
quando você pega uma coisa que só existe na sua cabeça e a transforma em
verdade.
10. Emoção
descontrolada – Você acha que sente alguma coisa. Então, essa coisa deve ser
verdade. Por exemplo, você se sente ansioso e conclui com certeza que alguma
coisa terrível vai acontecer.
11. Subestimar /
Superestimar – Você tende a diminuir a
importância das coisas ou faz tempestade em copo d´água. Dar a dimensão exata
do problema é chave da questão. Embora, nem sempre seja fácil.
Preste atenção no
número de vezes por dia que você cria essas distorções. Uma vez ciente disso,
você deve fazer um esforço consciente para reduzir essa frequência.
Conscientizar-se do problema é o primeiro passo no processo de mudança. A Terapia
Cognitiva-Comportamental pode ajudá-lo a identificar e lidar com seus processos
mentais para que você tenha uma forma mais saudável de ver a vida.
terça-feira, 12 de janeiro de 2021
Psicodinâmica do Diabetes
(Segundo Rüdiger Dahlke em seus livros –
"A Doença como Caminho" e a "A Doença como Símbolo")
Plano corporal: Pâncreas
(análise agressiva, digestão dos açúcares).
Pâncreas: Pertence ao sistema
digestório, é uma glândula mista com duas funções importantes, em que sua parte
exócrina produz os sucos digestivos vitais cuja atividade revela sua natureza
obviamente agressiva. A parte endócrina contém os grupos de células
conhecidas como placas celulares que produzem a insulina cuja redução leva ao
diabetes (doença do açúcar).
O termo diabetes vem do grego e significa
“arremessar através de” ou “atravessar”. O diabético não pode (devido à
falta de insulina) assimilar o açúcar contido nos alimentos, ocasionando que
escoa e seja eliminado através da urina.
Substituindo a palavra açúcar pala palavra
amor chegamos ao nível do problema do diabético. Alimentos doces são um
mero substituto para outros desejos doces, que tornam a vida uma doçura.
O desejo de comer doces e a incapacidade de assimilar o açúcar introduzindo-o
nas próprias células delata o inconfessado desejo da realização amorosa.
O diabético tem que viver com “alimentos
substitutivos” especiais, viver com substitutos dos próprios desejos, levando a
um excesso de acidez em todo o corpo, que pode chegar ao ponto de o paciente
entrar em coma.
Os ácidos são elementos de agressão.
Então, estamos diante de polaridades entre amor e agressividade, entre o açúcar
e o ácido. Os que não têm amor se tornam azedos – o que não têm tolerância
acabam logo por tornar-se intoleráveis.
As únicas pessoas que aceitam o amor são
aquelas que também são capazes de dá-lo; os diabéticos desejam amor, mas não se
atrevem a procurá-lo ativamente. Continuam ansiando e desejando por ele,
como não conseguem obtê-lo, já que não aprenderam a dar amor, este passa por
elas sem deixar sinal, e têm que expelir o açúcar que não assimilaram.
Mas não é por isso que devem tornar-se azedos.
Plano sintomático: diarreia
do amor, medo do amor, desejo de saborear coisas doces (amor) e a doce vida,
numa concomitante incapacidade de aceitar e deixar entrar o amor completamente;
não acolher o doce da vida, ou seja, não poder admiti-lo no mais íntimo (das
células); não poder se envolver no amor; desejo não reconhecido de satisfação
pelo amor; tornar-se azedo devido a incapacidade de amar; não ter aprendido a
dar amor; não se atrever a atacar ativamente o domínio do amor.
Tratamento: reconhecer
o medo e a estreiteza com relação aos assuntos amorosos; reconhecer a
incapacidade de admitir o amor em sua esfera mais íntima (açúcar nas células);
aprender a evitar os planos não redimidos da vida, ou seja, a fechar-se para
eles; no pólo oposto, abrir-se para o amor nas perspectivas anímicas e
espiritual.
Remissão: encontrar
o meio termo entre aceitar e renunciar; reconhecer e viver, o dar e o receber,
como os dois lados do amor e da realidade.
Segundo Louise L. Hay, o Diabetes é
interpretada como “desejar por aquilo que poderia ter sido; grande necessidade
de controle; mágoa profunda; nada ficou doce.”
O primeiro passo para os portadores de
diabetes é se conscientizar da doença e suas causas.
terça-feira, 15 de dezembro de 2020
Até que a Inveja os Separe
Certamente você já passou por isso. Se
não, ainda pode passar: você confia em alguém e acha que essa pessoa na qual
você confia está acima de qualquer suspeita. E você abre sua alma. Por um bom tempo,
vocês são uma dupla incrível e chegam ao ponto de dizer que essa amizade é para
sempre.
Mas, um dia você cria asas, busca outros mundos, trabalho, convívio
com outras pessoas, novas amizades. Começa a “se dar bem na vida” e, de repente,
seu melhor “amigo” começa parecer hostil. Já não é mais aquela pessoa amável e
companheira. Você o percebe distante, arredio. E, sem mais nem por que, seu
amigo vira inimigo.
Você não fez nada, mas seu amigo começa a dizer coisas a seu
respeito que você não entende. Difama você. E faz o pior que um “amigo” pode
fazer: torna público seus segredos. Você continua sem entender e sofre por isso. Então acorde. Você está sendo vítima de uma das mais ignóbeis, mesquinhas e cruéis
qualidades humanas; a inveja.
Quando alguém vivencia a inveja presume que
outro alguém ou alguma outra coisa está recebendo de você a atenção e o amor
que pertenciam a ele/ela por direito. Quando a inveja se pronuncia, uma reação
de raiva e ressentimento, e um comportamento ofensivo e agressivo por parte de quem
acalenta esse sentimento, se manifesta, gratuitamente, contra a pessoa invejada. Essa
pessoa pode querer magoar a outra no intuito de controlá-la, por não aceitar o
fim de uma ligação cujo rompimento, em sua visão, esteja prestes a acontecer.
A
pessoa invejosa sente ciúmes de algo, de uma qualidade ou atributo que você possui
e que, talvez, se ela possuísse tal coisa ou tal atributo, encontraria a
felicidade e alegria desejadas. A inveja é um estado emocional onde a pessoa
quer alguma coisa que você tem e que a levaria a ser admirada pelos outros, tanto
quanto você o é. É um estado emocional onde a pessoa se experimenta carente de
alguma coisa que ela acha que iria levá-la a ser admirada tanto quanto ela
secretamente admira você. Essa sensação de menos-valia e inadequação sobre si
mesma a motiva a se proteger, agredindo e diminuindo a importância da pessoa
invejada.
As coisas que ela criticará com mais afinco serão as coisas que as
outras pessoas admiram em você. Seu amigo tão querido, em um determinado
momento, só tem, agora, um pensamento
obsessivo: “Quem você pensa que é para tentar ser alguma coisa na vida sem
minha autorização? Como ousas prescindir de mim? Sem mim tu não és ninguém. Eu
não te autorizo a caminhar sozinho.” E, em sua cegueira psicológica, te vê como
uma ameaça. Os elogios e reconhecimento dos outros ao teu sucesso ou possível
sucesso soa aos seus ouvidos adoecidos,
como uma ofensa e diminuição de seu próprio valor; e, porisso, só lhe resta retalhar,
agredir.
Portanto, não se sinta culpado nem fique se perguntando onde você
errou. A inveja é um sentimento corrompido que não se rende à lógica. Causa
cegueira psíquica em quem a acalenta. Siga sua vida com tranquilidade e aprenda
com a experiência. E saiba que sentimentos são sempre projeções de nosso interior
que podem ser boas ou nem tanto. Mas, você nem sempre está preparado para
entender isso.
As pessoas que acalentam inveja não conseguem se valorizar por
terem, no mais das vezes, experimentado abandono e desproteção na infância. E
quando virem que você é amado, naturalmente respeitado ou protegido;
sentir-se-ão extremamente ofendidas e desvalorizadas e você será a bola da vez de
suas mazelas recalcadas na inconsciência.
Não se responsabilize pelos problemas alheios,
a menos que você seja um profissional da mente. E se, por acaso, você se descobrir uma pessoa invejosa, reconheça e procure ajuda. E lembre-se: a vida costuma maltratar quem não se trata bem.
sexta-feira, 27 de novembro de 2020
APRENDENDO A SE AMAR
“Eu sou uma pessoa
que ajuda todo mundo. Sou prestativo, amigo. Não sou só um amigo das horas
boas. Sou um amigo para todos os momentos. Gosto mais de dar do que receber.
Fico feliz quando os outros estão felizes. Mas, mesmo assim, tenho a sensação
que há alguma coisa errada comigo.” Você já ouviu isso algum dia, em algum
lugar. Ou, talvez, você mesmo já tenha dito isso para alguém; não é verdade?
Talvez você seja uma dessas
pessoas altruístas e piedosas, sempre dispostas a estender a mão a quem
precisa. Talvez você seja daqueles jovens que se entregam a um amor
perdidamente, só para, em seguida, sofrer amargamente por ter sido abandonado sem
razão aparente. Talvez, você seja daquelas pessoas que dizem: “eu tento fazer
tudo certo. Sou honesto, decente, cuidadoso, me importo com os outros; mas, quando eu preciso, todos os amigos
desaparecem.
Quantas vezes você já disse a
alguém, a uma amiga, por exemplo; “não fica assim...! Vai passar. Em pouco
tempo tu nem mais vais lembrar disso. Tu és uma pessoa incrível. Tu não estás
só. Tu tens a mim e eu te amo muito, tu sabes! Eu não vou te abandonar. Calma!
Dorme aqui hoje. Não vá para casa, eu vou cuidar de ti!?” Muitas, quem sabe!
Por isso, neste momento, se você
está dizendo: “eu sou uma pessoa mais ou menos assim...”, eu quero te fazer uma
pergunta: quantas vezes você disse tudo isso, que costuma dizer aos outros, a você mesma? Quantas vezes você
demonstrou esse amor, compreensão e ternura, consigo mesma...? Você lembra a última
vez que você se olhou no espelho e disse: fica tranquila, amor. Tu és uma
pessoa incrível, eu vou cuidar de ti, tu não estás só! Posso até ouvir a
resposta.
Você, talvez, não tenha percebido
com clareza o que você está fazendo. Mas, você está dando aos outros aquilo que
você mais quer receber. Contudo, quanto mais você dá, menos parece obter de
volta.
Veja se você se vê aqui...! Quando
as crianças sofrem bullying. Quando os adolescentes não conseguem segurar a
pressão com relação ao que eles devem ou não devem fazer, dizer ou não dizer.
Quando ouvem que seu valor pessoal está diretamente associado a suas atitudes
com relação às convenções sociais; a sua forma de aceitar e conviver com regras
castradoras - eles se esquecem de quem realmente são e passam a aceitar como
verdadeiras as palavras e comentários que lhe fazem mal. Se não se encaixam nos
padrões convencionais, não são dignos de ser felizes e amados. Sobra-lhes o
terror da baixo-autoestima.
Se você se sente assim, de certa
forma, procure identificar a origem de seus pensamentos autodestrutivos. De
onde vem essa voz acusadora? De pais severos e demasiadamente críticos? De
bullying sofrido na escola? De um ex-namorado, ou namorada, que fez com que
você odiasse seu corpo? Às vezes, aquelas pessoas que deveriam nos amar e nos
ajudar a crescer e ser seguras, são as que mais nos ferem a alma.
Reflita sobre seus pensamentos
destrutivos. Use sua inteligência a seu favor. Será que tudo que você ouviu é verdade?
Você pode estar um pouquinho acima do peso, mas você não é um gordo, ou gorda
nojenta. Você pode ter ido mal na prova
e ter de repetir o semestre, mas você não é um burro, incapaz, relapso, ou
coisa parecida. Você pode não saber que rumo você vai dar a sua vida, agora que
você conclui seus estudos - mas você não é um incompetente.
Eu posso ficar aqui dizendo uma
infinidade de coisas que fazem de você um ser especial, uma criatura digna. Mas, talvez nada disso adiante, enquanto você
não ouvir de si mesmo tudo que quer ouvir dos outros. Enquanto você não for,
para você mesmo, a melhor das companhias.
Diga a você todo dia, toda a hora, a
cada minuto se for necessário; que você é realmente essa pessoa maravilhosa que
você quer que os outros reconheçam. Sinta essa verdade profundamente. Elogie-se.
Perdoe-se. Afinal, não é isso que você faz com seus amigos, pais, colegas?
Quando você sentir essa verdade enraizada
em seu ser, você não vai mais pedir aos outros que reconheçam o quão especial
você é, ou quase implorar para que lhe
amem por isso. Pois, nesse exato momento, será o que todos irão fazer: Vê-lo
com a nova imagem que você vai refletir.
Seja bondoso, gentil, delicado com
você mesmo. Não repita em sua mente o que você ouve ou ouviu. Somente quando
você ouvir as palavras certas, ditas com veracidade por você mesmo, a você mesmo,
você vai poder acreditar e ser feliz.
sexta-feira, 13 de novembro de 2020
Quebre o Ciclo da Ansiedade
O medo é definido como uma emoção desagradável, causada pela crença que
alguém ou alguma coisa é perigosa e pode causar dor ou ameaça. De que pessoas e
situações você tem medo? Você sofre de algum tipo de stress pós-traumático que
é desencadeado por um estímulo relacionado a algum lugar ou ambiente onde você
experimentou algo horrível? Por que cada detalhe de uma experiência relacionada
ao medo fica profundamente marcado na memória de longo prazo?
Pesquisadores
descobriram que o hormônio do estresse, “cortisol” e o hormônio do amor “oxitocina”,
na verdade, trabalham juntos para criar uma memória de medo profundamente
enraizada durante e depois de períodos de dor e aflição. Provavelmente, essa
reação neurobiológica seja parte do mecanismo de sobrevivência para ajudar
alguém a não se envolver novamente em situações de perigo. O medo é um
mecanismo de proteção destinado a nos proteger do perigo e é indispensável à
sobrevivência. Infelizmente, tanto a ameaça real ou imaginária pode desencadear
a reação de medo que acaba por perpetuar o ciclo da ansiedade.
Os distúrbios de
ansiedade que levam a ataques de pânico podem fugir do controle quando o “medo
de sentir medo” confunde a realidade da situação. Em vez de ter medo de uma
ameaça real, a reação de medo se apossa do cérebro e cria a sensação neurobiológica
do medo; mesmo quando, na verdade, não há
ameaça alguma.
A ansiedade também tende a aparecer como herança
familiar. Filhos de pais ansiosos têm um risco mais alto de desenvolverem
distúrbios de ansiedade. Eles têm 50% mais chances de se tornarem adultos
ansiosos, segundo pesquisa recente da Universidade de Johns Hopkins nos Estados
Unidos. Em uma declaração à imprensa, a Drª. Ginsburg disse que: as descobertas realçam a vulnerabilidade das
crianças a pais ansiosos. È preciso, segundo ela, identificar crianças em risco e tentar ajudar. A ansiedade existe para
proteger e na adaptação ao meio; mas, isso pode não acontecer com crianças
ansiosas, porque estas crianças têm pensamentos sobre perigo e ameaças quando e onde elas não existem.
Para lidar melhor com a ansiedade, as crianças tendem a
evitar aquilo que provoca essa sensação. Por exemplo, se elas têm medo do
escuro, elas vão querer dormir de luz acesa. Se tiverem medo do fracasso,
poderão passar a ter medo de tentar coisas novas. De acordo com o Dr. Eric
Erickson, se as crianças forem encorajadas a desenvolver habilidades e
enfrentar seus problemas, isso vai levá-las a ter uma sensação de competência.
Se, ao contrário, as crianças não forem encaminhadas para ter esta percepção,
ou não tiverem autonomia para enfrentar seus problemas e superá-los, como
acontece quando os pais são demasiadamente protetores, isto poderá levá-las a
desenvolver complexo de inferioridade, falta de autoconfiança e ansiedade.
A
Dra. Ginsburg argumenta que a hereditariedade e as experiências de vida
desempenham um papel importante no ciclo da ansiedade. Quanto mais experiências
negativas a criança tiver durante seu crescimento, maior a probabilidade de que
ela venha a ter problemas de ansiedade quando adulta. Quando um adulto ou uma
criança imagina algo assustador, frequentemente, sua mente não consegue
perceber se este “perigo” é real ou imaginário.
Então, em vez de se focar na
situação assustadora no mundo real, as pessoas se focam no medo imaginário em
sua mente. E mesmo após a situação de perigo real ter sido evitada ou
resolvida, a mente pode repetir os pensamentos assustadores indefinidamente.
Por isso, uma das maneiras mais fáceis de reduzir a ansiedade e quebrar este
ciclo é utilizar a chamada “verificação
de realidade” . Aprender a reconhecer quando um medo é saudável, verdadeiro e
com base na realidade, ou irreal e imaginário, é uma forma eficaz de lidar com
a ansiedade que as pessoas de qualquer idade podem utilizar.
Ao se perguntar,
simplesmente: “ isto é real ou imaginário?,” você pode quebrar o ciclo da
ansiedade. Em geral, da mesma forma, os adultos tendem a criar situações
assustadoras sobre as quais eles não terão nenhum controle mais tarde, mesmo
que o “problema” enfrentado não seja tão assustador. È comum vermos pessoas que
criam as chamadas “tragédias” em cima de qualquer fato corriqueiro. De certa
forma, essas pessoas não agem assim por livre e espontânea vontade, mas esta
reação, como já frisamos, é uma reação neurobiológica do cérebro, e a pessoa
irá repeti-la indefinidamente diante de qualquer situação aflitiva que
vivenciar.
Compreender este fato é de suma importância para o alivio e controle
da ansiedade. Uma forma de perceber,
também, se estamos “exagerando” é investigar o entorno: Será que todas as
pessoas a minha volta; em casa, no trabalho, nas relações sócias, veem esse “fato
ou problema” da mesma forma que eu? Será que todos têm ou tiveram a mesma
reação diante dele?
Há, sem dúvidas, questões particulares, de foro íntimo.
Nesses casos, buscar um profissional na área é o mais adequado. De qualquer
forma, as instruções acima citadas valem também nesses casos e produzem alívio
e segurança quando repetidas frequentemente. Às vezes, o fantasma que nos
assusta é só uma criança brincando com um lençol sobre a cabeça.
Baseado no texto de Christofer Bergland. In Psychology Today
sexta-feira, 2 de outubro de 2020
A LIBERDADE ESTÁ ONDE O CORAÇÃO ESTÁ
Da
minha sala de aula vi, outro dia, uma tesourinha; aquele passarinho que tem o
rabo parecido com uma tesoura, bater
incansável na vidraça da janela de uma casa vizinha. Parecia querer entrar a
qualquer custo, como se lá dentro estivesse a coisa mais importante do mundo
para ele. Batia com tanta força, que, de onde eu estava, eu podia ouvir o barulho
das bicadas que ele dava no vidro.
Quando cansava, pousava na ponta da
veneziana aberta. Ficava ali alguns instantes e depois voltava a bater
desesperado na janela. Mais alguns minutos e voava para um fio de luz que se
estendia do poste até a casa. Balançava-se ao vento forte agarrado ao fio e,
depois, alçava voo e sumia por um longo tempo. Voltava, novamente, e repetia o
mesmo ritual.
Meus alunos riam de mim. “É só um
passarinho, o que tem de tão especial nisso”, um deles comentou. Achei melhor
ficar quieto. Mas eu sabia que não era só um passarinho. Era um passarinho em
busca de alguma coisa. E quando um passarinho busca, desesperado, alguma coisa,
não é mais só um passarinho. É um passarinho com um desejo. E um passarinho com
um desejo é um passarinho infeliz. É um passarinho buscando algo lhe falta ou
lhe roubaram, ou algo que ele perdeu.
“Talvez ele tenha se enxergado na
vidraça e esteja brigando com ele mesmo. Passarinhos são assim, não sabem o que
fazem.” Exclamou outro aluno. Não, pensei, quando um passarinho se enxerga, se
reconhece, cessa a vontade de lutar. Desaparece o desejo. Sente-se completo.
Por que, então, com toda a liberdade do mundo, com o infinito a sua volta, ele,
ainda assim, buscava alguma coisa atrás daquela vidraça?
Vocês vão dizer que eu enlouqueci.
Mas, eu juro que decidi perguntar isso a ele. Sim, ao passarinho: ei, amigo,
será que eu posso ajudar? Disse-lhe em pensamento. O que você está buscando tão
desesperadamente aí dentro? Silêncio absoluto. Insisti: eu gostaria de poder
ajudar. Diga-me o que eu posso fazer?
De repente, eu ouvi, nitidamente, a
voz do passarinho dizer: feche os olhos e me diga você! O que você acha que eu
estou procurando? Você também está se sentindo como eu. Só que você está atrás
da vidraça. Olhe com calma para dentro de você e me diga: o que se esconde
dentro de sua alma. Pois é exatamente isso
que eu estou buscando.
Não pode ser. Você não pode estar
buscando o mesmo que eu. Eu não tenho asas. Se as tivesse, certamente iria por
aí em busca do horizonte, da felicidade. Voaria pelos quatro cantos do mundo.
Mergulharia em todos os oceanos. Perseguiria o verão eternamente. Habitaria
todos os espaços. Ouviria os sons das matas e das cachoeiras. Pairaria além dos
trovões e das chuvas. Sentir-me-ia imbatível. Mais forte que a força de todos
os mares. Mais importante que todos os reis da terra. Faria milagres.
Transformaria água em vinho. Lágrimas em
sorrisos. Sonhos em verdades. Desviaria rios de seus cursos, para matar a sede
das terras áridas. Mataria a forme do mundo. Adotaria todas as crianças.
Aplacaria todas as guerras. Sentiria o doce gosto da liberdade. Você, no
entanto, apesar das asas,parece buscar a prisão. Parece querer confinar-se em
um mundo com janelas fechadas.
Depois de longo silêncio, ouvi,
cansada, a voz do passarinho: Viu, agora você sabe o que eu estou fazendo com
tanto desespero. Estou buscando exatamente o que você busca e definiu tão bem.
Sabe, amigo... disse-me ele, ontem quando voávamos juntos eu e minha amada, ela
distraiu-se por um segundo e entrou por esta janela que ainda estava aberta. E,
alguém, inadvertidamente, a trancou lá dentro.
Entendes agora? Minha liberdade está lá dentro, incomunicável, isolada - que diferença faz ter asas?
Pessoal, disse eu, retomando minha
aula - eu quero que vocês escrevam um
parágrafo sobre o seguinte tema: “A
liberdade está onde o coração está.” Quanto vale, professor? Perguntou-me um
aluno. Digam-me vocês, respondi-lhe.
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