quinta-feira, 25 de março de 2021

AUTOBIOGRAFIA EM 5 CAPÍTULOS CURTOS


By Portia Nelson /
Tradução por minha conta e risco
I
Eu desço a rua
Há um enorme buraco na calçada
Eu caio dentro dele
Estou perdido…me sinto desamparado
Não é culpa minha
Levo uma eternidade para achar a saída
II
Eu desço a mesma rua
Há um enorme buraco na calçada
Eu finjo não o ver
Eu caio de novo
Não consigo acreditar que estou no mesmo lugar... mas, não é minha culpa.
Mesmo assim ainda levo muito tempo para sair dele.
III
Desço a mesma rua
Há um enorme buraco na calçada
Eu o vejo ali
Novamente eu caio. É um hábito, meu olhos estão abertos.
Eu sei onde estou
É culpa minha.
Eu saio imediatamente
IV
Eu desço a mesma rua
Há um enorme buraco na calçada.
Eu desvio dele.
V
Eu vou por outra rua.
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Aceitar o novo é sempre um desafio assustador. Muitas vezes, preferimos o ruim conhecido, à possibilidade de uma nova vivência. Simplesmente, temermos o inusitado. A segurança de um presente triste e enfadonho parece-nos, às vezes, menos ameaçador que o mais promissor dos futuros. Morremos de medo de correr riscos, mesmo que o pior dos efeitos colaterais ainda possa ser muito melhor que o momento vivido. Desconfiamos de tudo que traga o rótulo de inédito, e, mesmo assim, fingimos sonhar com dias melhores. Lutamos para mudar nosso futuro. Mas, no fundo, queremos estar seguros de que tudo continuará como sempre foi - ruim, mas sem sobressaltos. Caímos tantas vezes no mesmo buraco que nos tornamos especialistas em cair e levantar; como se todos os caminhos tivessem, necessariamente, que acabar no vazio. Quem nos ensinou que ser feliz é ruim, que afasta os amores? Quem nos convenceu que a esperança sozinha pode preencher nossos espaços mais profundos? Em algum momento, tentaram nos convencer que a felicidade é o tédio travestido de possibilidades remotas. Coitados, mal sabem eles que a felicidade é  vívida de possibilidades e desdobramentos singulares e que alicia mais amores que a falsa e obscura  segurança dos caminhos em assombro. Estamos tão  acostumados à luta, que quando não percebemos o inimigo, entramos em colapso. Estar bem é, às vezes, um ato de estrema coragem e desafia profundamente a alma inquieta. É preciso compreender, no entanto, que não podemos passar a vida procurando a felicidade. Na verdade, todo dia nos topamos com a ela, em todo lugar. No sorriso de uma criança, numa flor do campo, no canto de um pássaro, no abraço amigo. Só  que, raramente, a percebemos aí. Não a reconhecemos, pois não temos um padrão interior para compará-la. Esperamos um susto. Um êxtase. Não  um momento singular, pleno em si mesmo. Todo dia a vida se renova. Não pode haver maior fecilicidade. 






quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

FELICIDADE, UM BICHO DE SETE CABEÇAS?

Li, certa vez, em uma revista, um artigo escrito por um pastor que contava sobre um mendigo que costumava visitá-lo em sua igreja, e que gostava de discutir sobre o que ele, o mendigo, costumava chamar de temas filosóficos. Pedia ao pastor uma xícara com água quente, pois sempre trazia consigo seu próprio sache e, depois, deslanchava suas filosofias.  Uma vez o tema proposto pelo mendigo era a felicidade: O que é felicidade? Perguntou ele ao pastor,  direto e sem rodeios. O pastor organizou por alguns segundos seus pensamentos e disse: para muitas pessoas felicidade significa ter o suficiente para comer, um lugar aquecido para dormir, boa saúde e dinheiro suficiente para as necessidades básicas da vida... Quando o pastor ia começar a falar sobre questões espirituais, o mendigo  interrompeu-o e  disse:  Por que é, então, que as pessoas desejam muito mais do que isso? Por que elas não são felizes apesar de suas casas luxuosas, carros, viagens, dinheiro no banco, férias em lugares diferentes todo o ano?  Essas são necessidades básicas da vida? Em seguida o mendigo acrescentou: Eu, pessoalmente, sou muito feliz, embora não tenha nada e nunca tenha procurado a felicidade. Eu não gostaria de ser rico, ou de ter mais dinheiro, frisou ele. Eu nem mesmo gostaria de ter um lugar para dormir hoje à noite. Eu serei feliz enquanto eu puder caminhar e respirar, enquanto eu for livre.   Contou o pastor que esse fato o fez lembrar de um quadro que uma vez ele havia visto: era um quadro de um homem sentado em um banco de praça com uma borboleta pousada em seu ombro. Na base do quadro estava a seguinte inscrição: A felicidade é como a borboleta, se você tentar pegá-la, ela irá fugir. Mas, se você não prestar atenção a ela, e seguir enfrente com sua vida, talvez ela pouse em seu ombro.   Muitas vezes, não nos damos o direito de ser feliz e culpamos as circunstâncias da vida, as dificuldades econômicas, os fenômenos meteorológicos, as catástrofes, desastres, acidentes, estresse e tantas outras coisas encontradas em nosso dia-a-dia. Seriam essas coisas, por si só, fatores definitivos para que não sejamos felizes de forma alguma? Há um aspecto de suma importância na construção de nossa felicidade: a união perfeita da criança que fomos e que permanece viva em nós com o adulto que somos.  Se essa associação for positiva, se esses dois aspectos de nossas vidas estiverem conectados, teremos, então, a sensação de paz e equilíbrio. Quando isso não acontece sentimos medo e insegurança, não estamos inteiros, nos sentimos conflitados e experimentamos a solidão e a tristeza. Mas, será que quem teve uma infância infeliz, estaria definitivamente condenado a infelicidade? Absolutamente, o desafio do adulto é compreender a necessidade dessa união e sarar a criança que há dentro de si. A criança é a emoção, o adulto a razão. A criança carrega consigo o peso das crenças erradas que lhes foram imputadas pelos pais, o meio, a escola e ajudaram a transformá-la, mais tarde, em um adulto infeliz. Crenças como: não responda a um adulto. Seja bonzinho. Não discuta. Não argumente. Nunca diga não. Seja obediente. Não fale das suas coisas interiores. Não confie em ninguém. Você não sabe o que é melhor para você. Seja forte. Não chore.  E quando nos tornamos adultos, inconscientemente, repetimos esses erros e dizemos: Não tenho nenhum valor, tudo que eu faço é errado. Como posso ser feliz se tem tanta gente infeliz. Isso seria egoísmo. Não tenho esse direito. Tenho que ser bonzinho e obedecer sempre. Não tenho direito de reivindicar nada. Não sei lidar com a dor, a rejeição, a solidão. Os outros não me deixam ser feliz - Descobrir o nosso valor e resgatar nossa autoestima são condições indispensáveis para uma mente saudável. Quando sentimos que temos valor, aprendemos a dar importância a nossa vida e a cuidar da nossa felicidade. Talvez o mendigo da história acima, apesar de sua condição de miserabilidade, nos dê um testemunho claro de que nossa dificuldade em ser feliz, está muito mais ligada à criança perdida dentro de nós, do que com o fato de termos de enfrentar alguns transtornos inevitáveis que a vida nos impõe. Não se dar o direito de ser feliz está ligado, também, a crença de que somos seres de segunda classe, conceitos muitas vezes incutidos em nossas mentes de criança pela religião, que nos relegou o papel de reles pecadores e nos fez bater no peito proclamando nossa culpa (mea culpa) por algo que nem sequer compreendíamos e continuamos a não compreender. As coisas que nos trazem mais prazer estiveram, de certa forma, sempre relacionadas ao pecado. O vazio e a solidão deixados em nossa infância tendem a nos tornar adultos compulsivos, a nos jogar no vício, na busca desesperada para preencher esse vazio. E, mesmo quando reconhecemos nossas mazelas, ajudados pelo conhecimento intelectual adquirido, nem sempre conseguimos curá-las e continuamos a sabotar nossos próprios desejos de forma muitas vezes inconsciente.  A luta para conquistar coisas e o prazer que tiramos disso, se dá pelo fato de que estas conquistas, na verdade, são conquistas internas. São mais o resultado de verdadeiras batalhas que travamos dentro de nós mesmos em busca da cura psicológica, do que por feitos externos. O medo de ser feliz tende a ser bem mais forte que o desejo de sê-lo. A cura é sempre um processo lento, que, muitas vezes, não alcançamos sozinhos.  Por isso enfiamos a cara no trabalho e temos cada vez menos tempo para nós. É uma forma de não termos de ver quem realmente somos e de não reconhecermos essa criança assustada dentro de nós. Não existem formulas mágicas para curar essas feridas. Mas, é preciso reconhecer nossa condição humana, de seres que caminham sem ter, no entanto, muita certeza de onde estão pisando. Valorizar a criança interior é o grande início para se colher dias melhores. Descobrir onde, como e porque nossas pequenas asas foram cortadas, ajuda a nos tornarmos inteiros novamente.  A felicidade não se esconde em algum lugar do futuro entre bens de consumo de toda ordem. O mais das vezes, para encontrá-la, só precisamos adotar novamente aquela criança que ficou perdida lá no passado e ela mesma se encarregará de nos mostrar o caminho. 






quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Armadilhas Cognitivas


Aeron Beck, o psiquiatra criador da Terapia Cognitivo-Comportamental, estabeleceu os fundamentos para as seguintes distorções cognitivas que podem nos levar a depressão, isolamento e a ansiedade, se vivenciadas com frequência.
1.    Generalização – Você tem duas ou três experiências negativas e acha que no futuro tudo será da mesma forma e fará, ironicamente, que sua profecia se concretize.
2.    Deveria ter feito isso...deveria ter feito aquilo -  Você pensa constantemente: “se eu tivesse agido assim, nada disso teria acontecido...” Liberte-se disso. As coisas acontecem por que tem de acontecer. Por razões que nós nem sempre entendemos.
3.    Negativismo – Se alguém diz alguma coisa que você acha não ser positivo, você já acha que tudo de negativo vai se seguir a isso. E você se bloqueia e se afunda num espiral de negatividade. Você continua remoendo o assunto e não consegue mais fugir dele. Você passa ser escravo de seus próprios pensamentos.
4.    Leitura Mental – Você acredita muito em seus pensamentos. O que, normalmente, faz com que você acredite que sabe o que os outros estão pensando. Em estudos recentes foi descoberto que mesmo os terapeutas conseguem adivinhar apenas 50% do que os seus pacientes estão verdadeiramente pensando.
5.    Criar tragédias – Quando você dá dimensões exageradas aos acontecimentos você cria uma teia de preocupações, fantasiando com relação à forma como  todas as coisa podem dar errado.
6.    Autopunição – Culpar-se pelo fato das coisas terem dado errado perpetua a baixa autoestima e trás um ciclo vicioso de mais e mais preocupações. Aceitar suas responsabilidades por erros cometidos, enquanto você pensa em alternativas melhores para o futuro, é a melhor coisa a ser feita. Não é saudável acreditar que todas as coisas ruins acontecem por sua causa e para você. A maior parte das coisas que acontecem têm mais de uma causa. Sua contribuição talvez seja a menor e a menos importante delas.

7.    Avaliação Errada – Você avalia erroneamente ou interpreta mal uma situação. E depois pensa que você é um fracasso, quando tudo que você fez foi cometer um erro e nada mais.

8.    Transformando o positivo em negativo – Você sempre acha motivo para desconfiar dos outros, até mesmo dos amigos, e tem a tendência a dispensar cumprimentos sinceros. Esta forma de pensar arruína o que existe de positivo e enfraquece a amizade e a intimidade.

9.    Pensamentos como coisas reais - Você acredita que seus pensamentos são reais, quando na verdade são só pensamentos. Aprenda a liberá-los. Em especial aqueles que não são objetivamente verdadeiros. Não fazer isso pode levar a conflitos, especialmente quando você pega uma coisa que só existe na sua cabeça e a transforma em verdade.

10.  Emoção descontrolada – Você acha que sente alguma coisa. Então, essa coisa deve ser verdade. Por exemplo, você se sente ansioso e conclui com certeza que alguma coisa terrível vai acontecer.

11.  Subestimar / Superestimar  – Você tende a diminuir a importância das coisas ou faz tempestade em copo d´água. Dar a dimensão exata do problema é chave da questão. Embora, nem sempre seja fácil.

Preste atenção no número de vezes por dia que você cria essas distorções. Uma vez ciente disso, você deve fazer um esforço consciente para reduzir essa frequência. Conscientizar-se do problema é o primeiro passo no processo de mudança. A Terapia Cognitiva-Comportamental pode ajudá-lo a identificar e lidar com seus processos mentais para que você tenha uma forma mais saudável de ver a vida.  




terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Psicodinâmica do Diabetes


(Segundo Rüdiger Dahlke em seus livros – "A Doença como Caminho" e a  "A Doença como Símbolo")
Plano corporal: Pâncreas (análise agressiva, digestão dos açúcares).
Pâncreas: Pertence ao sistema digestório, é uma glândula mista com duas funções importantes, em que sua parte exócrina produz os sucos digestivos vitais cuja atividade revela sua natureza obviamente agressiva.  A parte endócrina contém os grupos de células conhecidas como placas celulares que produzem a insulina cuja redução leva ao diabetes (doença do açúcar).
O termo diabetes vem do grego e significa “arremessar através de” ou “atravessar”.  O diabético não pode (devido à falta de insulina) assimilar o açúcar contido nos alimentos, ocasionando que escoa e seja eliminado através da urina. 
 Substituindo a palavra açúcar pala palavra amor chegamos ao nível do problema do diabético.  Alimentos doces são um mero substituto para outros desejos doces, que tornam a vida uma doçura.  O desejo de comer doces e a incapacidade de assimilar o açúcar introduzindo-o nas próprias células delata o inconfessado desejo da realização amorosa. 
O diabético tem que viver com “alimentos substitutivos” especiais, viver com substitutos dos próprios desejos, levando a um excesso de acidez em todo o corpo, que pode chegar ao ponto de o paciente entrar em coma. 
Os ácidos são elementos de agressão.  Então, estamos diante de polaridades entre amor e agressividade, entre o açúcar e o ácido.  Os que não têm amor se tornam azedos – o que não têm tolerância acabam logo por tornar-se intoleráveis.
As únicas pessoas que aceitam o amor são aquelas que também são capazes de dá-lo; os diabéticos desejam amor, mas não se atrevem a procurá-lo ativamente.  Continuam ansiando e desejando por ele, como não conseguem obtê-lo, já que não aprenderam a dar amor, este passa por elas sem deixar sinal, e têm que expelir o açúcar que não assimilaram.  Mas não é por isso que devem tornar-se azedos.
Plano sintomático: diarreia do amor, medo do amor, desejo de saborear coisas doces (amor) e a doce vida, numa concomitante incapacidade de aceitar e deixar entrar o amor completamente; não acolher o doce da vida, ou seja, não poder admiti-lo no mais íntimo (das células); não poder se envolver no amor; desejo não reconhecido de satisfação pelo amor; tornar-se azedo devido a incapacidade de amar; não ter aprendido a dar amor; não se atrever a atacar ativamente o domínio do amor.
Tratamento: reconhecer o medo e a estreiteza com relação aos assuntos amorosos; reconhecer a incapacidade de admitir o amor em sua esfera mais íntima (açúcar nas células); aprender a evitar os planos não redimidos da vida, ou seja, a fechar-se para eles; no pólo oposto, abrir-se para o amor nas perspectivas anímicas e espiritual.
Remissão: encontrar o meio termo entre aceitar e renunciar; reconhecer e viver, o dar e o receber, como os dois lados do amor e da realidade.
Segundo Louise  L. Hay, o Diabetes é interpretada como “desejar por aquilo que poderia ter sido; grande necessidade de controle; mágoa profunda; nada ficou doce.”
O primeiro passo para os portadores de diabetes é se conscientizar da doença e suas causas.



terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Até que a Inveja os Separe


               Certamente você já passou por isso. Se não, ainda pode passar: você confia em alguém e acha que essa pessoa na qual você confia está acima de qualquer suspeita. E você abre sua alma. Por um bom tempo, vocês são uma dupla incrível e chegam ao ponto de dizer que essa amizade é para sempre. 
                 Mas, um dia você cria asas, busca outros mundos, trabalho, convívio com outras pessoas, novas amizades. Começa a “se dar bem na vida” e, de repente, seu melhor “amigo” começa parecer hostil. Já não é mais aquela pessoa amável e companheira. Você o percebe distante, arredio. E, sem mais nem por que, seu amigo vira inimigo. 
                 Você não fez nada, mas seu amigo começa a dizer coisas a seu respeito que você não entende. Difama você. E faz o pior que um “amigo” pode fazer: torna público seus segredos. Você continua sem entender e sofre por isso. Então acorde. Você está sendo vítima de uma das mais ignóbeis, mesquinhas e cruéis qualidades humanas; a inveja.
           Quando alguém vivencia a inveja presume que outro alguém ou alguma outra coisa está recebendo de você a atenção e o amor que pertenciam a ele/ela por direito. Quando a inveja se pronuncia, uma reação de raiva e ressentimento,  e um comportamento ofensivo e agressivo por parte de quem acalenta esse sentimento, se manifesta, gratuitamente, contra a pessoa invejada. Essa pessoa pode querer magoar a outra no intuito de controlá-la, por não aceitar o fim de uma ligação cujo rompimento, em sua visão, esteja prestes a acontecer. 
           A pessoa invejosa sente ciúmes de algo, de uma qualidade ou atributo que você possui e que, talvez, se ela possuísse tal coisa ou tal atributo, encontraria a felicidade e alegria desejadas. A inveja é um estado emocional onde a pessoa quer alguma coisa que você tem e que a levaria a ser admirada pelos outros, tanto quanto você o é. É um estado emocional onde a pessoa se experimenta carente de alguma coisa que ela acha que iria levá-la a ser admirada tanto quanto ela secretamente admira você. Essa sensação de menos-valia e inadequação sobre si mesma a motiva a se proteger, agredindo e diminuindo a importância da pessoa invejada. 
             As coisas que ela criticará com mais afinco serão as coisas que as outras pessoas admiram em você. Seu amigo tão querido, em um determinado momento, só tem, agora,  um pensamento obsessivo: “Quem você pensa que é para tentar ser alguma coisa na vida sem minha autorização? Como ousas prescindir de mim? Sem mim tu não és ninguém. Eu não te autorizo a caminhar sozinho.” E, em sua cegueira psicológica, te vê como uma ameaça. Os elogios e reconhecimento dos outros ao teu sucesso ou possível sucesso  soa aos seus ouvidos adoecidos, como uma ofensa e diminuição de seu próprio valor; e, porisso, só lhe resta retalhar, agredir. 
               Portanto, não se sinta culpado nem fique se perguntando onde você errou. A inveja é um sentimento corrompido que não se rende à lógica. Causa cegueira psíquica em quem a acalenta. Siga sua vida com tranquilidade e aprenda com a experiência. E saiba que sentimentos são sempre projeções de nosso interior que podem ser boas ou nem tanto. Mas, você nem sempre está preparado para entender isso. 
              As pessoas que acalentam inveja não conseguem se valorizar por terem, no mais das vezes, experimentado abandono e desproteção na infância. E quando virem que você é amado, naturalmente respeitado ou protegido; sentir-se-ão extremamente ofendidas e desvalorizadas e você será a bola da vez de suas mazelas recalcadas na inconsciência. 
           Não se responsabilize pelos problemas alheios, a menos que você seja um profissional da mente. E se, por acaso, você se descobrir uma pessoa invejosa, reconheça e procure ajuda. E lembre-se: a vida costuma maltratar quem não se trata bem. 




sexta-feira, 27 de novembro de 2020

APRENDENDO A SE AMAR



                “Eu sou uma pessoa que ajuda todo mundo. Sou prestativo, amigo. Não sou só um amigo das horas boas. Sou um amigo para todos os momentos. Gosto mais de dar do que receber. Fico feliz quando os outros estão felizes. Mas, mesmo assim, tenho a sensação que há alguma coisa errada comigo.” Você já ouviu isso algum dia, em algum lugar. Ou, talvez, você mesmo já tenha dito isso para alguém; não é verdade?
           Talvez você seja uma dessas pessoas altruístas e piedosas, sempre dispostas a estender a mão a quem precisa. Talvez você seja daqueles jovens que se entregam a um amor perdidamente, só para, em seguida, sofrer amargamente por ter sido abandonado sem razão aparente. Talvez, você seja daquelas pessoas que dizem: “eu tento fazer tudo certo. Sou honesto, decente, cuidadoso, me importo com os outros; mas,  quando eu preciso, todos os amigos desaparecem. 
             Quantas vezes você já disse a alguém, a uma amiga, por exemplo; “não fica assim...! Vai passar. Em pouco tempo tu nem mais vais lembrar disso. Tu és uma pessoa incrível. Tu não estás só. Tu tens a mim e eu te amo muito, tu sabes! Eu não vou te abandonar. Calma! Dorme aqui hoje. Não vá para casa, eu vou cuidar de ti!?” Muitas, quem sabe!
            Por isso, neste momento, se você está dizendo: “eu sou uma pessoa mais ou menos assim...”, eu quero te fazer uma pergunta: quantas vezes você disse tudo isso, que costuma dizer aos outros, a você mesma? Quantas vezes você demonstrou esse amor, compreensão e ternura, consigo mesma...? Você lembra a última vez que você se olhou no espelho e disse: fica tranquila, amor. Tu és uma pessoa incrível, eu vou cuidar de ti, tu não estás só! Posso até ouvir a resposta.
         Você, talvez, não tenha percebido com clareza o que você está fazendo. Mas, você está dando aos outros aquilo que você mais quer receber. Contudo, quanto mais você dá, menos parece obter de volta.
         Veja se você se vê aqui...! Quando as crianças sofrem bullying. Quando os adolescentes não conseguem segurar a pressão com relação ao que eles devem ou não devem fazer, dizer ou não dizer. Quando ouvem que seu valor pessoal está diretamente associado a suas atitudes com relação às convenções sociais; a sua forma de aceitar e conviver com regras castradoras - eles se esquecem de quem realmente são e passam a aceitar como verdadeiras as palavras e comentários que lhe fazem mal. Se não se encaixam nos padrões convencionais, não são dignos de ser felizes e amados. Sobra-lhes o terror da baixo-autoestima.
         Se você se sente assim, de certa forma, procure identificar a origem de seus pensamentos autodestrutivos. De onde vem essa voz acusadora? De pais severos e demasiadamente críticos? De bullying sofrido na escola? De um ex-namorado, ou namorada, que fez com que você odiasse seu corpo? Às vezes, aquelas pessoas que deveriam nos amar e nos ajudar a crescer e ser seguras, são as que mais nos ferem a alma.
            Reflita sobre seus pensamentos destrutivos. Use sua inteligência a seu favor. Será que tudo que você ouviu é verdade? Você pode estar um pouquinho acima do peso, mas você não é um gordo, ou gorda nojenta.  Você pode ter ido mal na prova e ter de repetir o semestre, mas você não é um burro, incapaz, relapso, ou coisa parecida. Você pode não saber que rumo você vai dar a sua vida, agora que você conclui seus estudos - mas você não é um incompetente.
         Eu posso ficar aqui dizendo uma infinidade de coisas que fazem de você um ser especial, uma criatura digna.  Mas, talvez nada disso adiante, enquanto você não ouvir de si mesmo tudo que quer ouvir dos outros. Enquanto você não for, para você mesmo, a melhor das companhias.
         Diga a você todo dia, toda a hora, a cada minuto se for necessário; que você é realmente essa pessoa maravilhosa que você quer que os outros reconheçam. Sinta essa verdade profundamente. Elogie-se. Perdoe-se. Afinal, não é isso que você faz com seus amigos, pais, colegas?
              Quando você sentir essa verdade enraizada em seu ser, você não vai mais pedir aos outros que reconheçam o quão especial você é,  ou quase implorar para que lhe amem por isso. Pois, nesse exato momento, será o que todos irão fazer: Vê-lo com a nova imagem que você vai refletir.
            Seja bondoso, gentil, delicado com você mesmo. Não repita em sua mente o que você ouve ou ouviu. Somente quando você ouvir as palavras certas, ditas com veracidade por você mesmo, a você mesmo, você vai poder acreditar e ser feliz.
           
         


sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Quebre o Ciclo da Ansiedade

              O medo é definido como uma emoção desagradável, causada pela crença que alguém ou alguma coisa é perigosa e pode causar dor ou ameaça. De que pessoas e situações você tem medo? Você sofre de algum tipo de stress pós-traumático que é desencadeado por um estímulo relacionado a algum lugar ou ambiente onde você experimentou algo horrível? Por que cada detalhe de uma experiência relacionada ao medo fica profundamente marcado na memória de longo prazo? 
                   Pesquisadores descobriram que o hormônio do estresse, “cortisol” e o hormônio do amor “oxitocina”, na verdade, trabalham juntos para criar uma memória de medo profundamente enraizada durante e depois de períodos de dor e aflição. Provavelmente, essa reação neurobiológica seja parte do mecanismo de sobrevivência para ajudar alguém a não se envolver novamente em situações de perigo. O medo é um mecanismo de proteção destinado a nos proteger do perigo e é indispensável à sobrevivência. Infelizmente, tanto a ameaça real ou imaginária pode desencadear a reação de medo que acaba por perpetuar o ciclo da ansiedade. 
                Os distúrbios de ansiedade que levam a ataques de pânico podem fugir do controle quando o “medo de sentir medo” confunde a realidade da situação. Em vez de ter medo de uma ameaça real, a reação de medo se apossa do cérebro e cria a sensação neurobiológica do medo; mesmo quando, na verdade, não há  ameaça alguma. 
             A ansiedade também tende a aparecer como herança familiar. Filhos de pais ansiosos têm um risco mais alto de desenvolverem distúrbios de ansiedade. Eles têm 50% mais chances de se tornarem adultos ansiosos, segundo pesquisa recente da Universidade de Johns Hopkins nos Estados Unidos. Em uma declaração à imprensa, a Drª. Ginsburg disse que: as descobertas realçam a vulnerabilidade das crianças a pais ansiosos. È preciso, segundo ela, identificar crianças em risco e tentar ajudar. A ansiedade existe para proteger e na adaptação ao meio; mas, isso pode não acontecer com crianças ansiosas, porque estas crianças têm pensamentos sobre perigo e ameaças quando  e onde elas não existem. 
                Para lidar melhor com a ansiedade, as crianças tendem a evitar aquilo que provoca essa sensação. Por exemplo, se elas têm medo do escuro, elas vão querer dormir de luz acesa. Se tiverem medo do fracasso, poderão passar a ter medo de tentar coisas novas. De acordo com o Dr. Eric Erickson, se as crianças forem encorajadas a desenvolver habilidades e enfrentar seus problemas, isso vai levá-las a ter uma sensação de competência. 
             Se, ao contrário, as crianças não forem encaminhadas para ter esta percepção, ou não tiverem autonomia para enfrentar seus problemas e superá-los, como acontece quando os pais são demasiadamente protetores, isto poderá levá-las a desenvolver complexo de inferioridade, falta de autoconfiança e ansiedade. 
        A Dra. Ginsburg argumenta que a hereditariedade e as experiências de vida desempenham um papel importante no ciclo da ansiedade. Quanto mais experiências negativas a criança tiver durante seu crescimento, maior a probabilidade de que ela venha a ter problemas de ansiedade quando adulta. Quando um adulto ou uma criança imagina algo assustador, frequentemente, sua mente não consegue perceber se este “perigo” é real ou imaginário. 
             Então, em vez de se focar na situação assustadora no mundo real, as pessoas se focam no medo imaginário em sua mente. E mesmo após a situação de perigo real ter sido evitada ou resolvida, a mente pode repetir os pensamentos assustadores indefinidamente. Por isso, uma das maneiras mais fáceis de reduzir a ansiedade e quebrar este ciclo é utilizar a chamada  “verificação de realidade” . Aprender a reconhecer quando um medo é saudável, verdadeiro e com base na realidade, ou irreal e imaginário, é uma forma eficaz de lidar com a ansiedade que as pessoas de qualquer idade podem utilizar. 
             Ao se perguntar, simplesmente: “ isto é real ou imaginário?,” você pode quebrar o ciclo da ansiedade. Em geral, da mesma forma, os adultos tendem a criar situações assustadoras sobre as quais eles não terão nenhum controle mais tarde, mesmo que o “problema” enfrentado não seja tão assustador. È comum vermos pessoas que criam as chamadas “tragédias” em cima de qualquer fato corriqueiro. De certa forma, essas pessoas não agem assim por livre e espontânea vontade, mas esta reação, como já frisamos, é uma reação neurobiológica do cérebro, e a pessoa irá repeti-la indefinidamente diante de qualquer situação aflitiva que vivenciar. 
              Compreender este fato é de suma importância para o alivio e controle da ansiedade.  Uma forma de perceber, também, se estamos “exagerando” é investigar o entorno: Será que todas as pessoas a minha volta; em casa, no trabalho, nas relações sócias, veem esse “fato ou problema” da mesma forma que eu? Será que todos têm ou tiveram a mesma reação diante dele? 
          Há, sem dúvidas, questões particulares, de foro íntimo. Nesses casos, buscar um profissional na área é o mais adequado. De qualquer forma, as instruções acima citadas valem também nesses casos e produzem alívio e segurança quando repetidas frequentemente. Às vezes, o fantasma que nos assusta é só uma criança brincando com um lençol sobre a cabeça.

Baseado no texto de Christofer Bergland. In Psychology Today